12/01/10

Project L




Project L II is the second part of Teatro Plastico’s current icons cycle, a video installation art work directed by Teatro Plástico's artistic director Francisco Alves and centred on Sophia Loren as a major XX century icon.

This work-in-progress in different parts, to be presented during 2010 in hotels around the world, questions the visual and exhibitionistic nature of contemporary society confronting theatre as an ephemeral live art form with the artificial and repetitive quality of image and presents the 'movie star' as a central metaphor for contemporary narcissistic and autophagic consumer society.

Project L - Lux is part of a global research work on the concepts of space and the new nomadic contemporary societies and highlights the new and central role of the hotel in a moving and increasingly global culture were the important and once rigid concepts of home, residence and national and cultural identity are rapidly changing.


Direction: Francisco Alves | Editing: Tiago Afonso | Design: Tiago Morgado | Photography: Inês d’Orey | Production: Teatro Plástico

04/01/10

20 votos para 2010


- Menos hipocrisia e mais coragem e frontalidade na vida pública. A ditadura do 'politicamente correcto' está a envenenar a sociedade portuguesa e um país incapaz de promover a crítica e o confronto de opiniões é uma sociedade morta e sem futuro.

- Amar mais as boas coisas portuguesas e privilegiar a produção nacional de qualidade. Apesar das aparências Portugal não é só desgraça, falhanço e lixo e, como dizia Pessoa, uma nação que permanentemente se diminui e menoriza acaba por se transformar naquilo em que acredita.

- 1% do orçamento do Estado para a Cultura. (dispensa explicação adicional)

- Suspensão do acordo ortográfico. Um projecto desastroso que nada unifica e apenas empobrece a diversidade da língua e promove a iliteracia ao instituir o caos na já tão deficiente escrita do português.

- Passagem da RTP para a tutela do Ministério da Cultura. Só assim se pode assegurar um verdadeiro serviço público com produção nacional de qualidade e sem telelixo nem apresentadores e músicos pimba e futebol permanente.

- Entrada gratuita em todos os museus públicos para os cidadãos nacionais. (dispensa explicação adicional)

- Atribuição por parte das Câmaras Municipais de espaços devolutos no centro das cidades às estruturas teatrais e artísticas portuguesas sem espaços de trabalho e exibição próprios. Promove-se assim a requalificação social de áreas degradadas e potenciam-se os investimentos públicos à criação.

- Diminuição do nº de deputados para 180. (dispensa explicação adicional)

- Obrigar todos os candidatos a cargos públicos à realização de provas específicas e testes de inteligência. É escandaloso que Portugal continue a ser maioritariamente governado pelos seus mais medíocres representantes e apenas é aceitavel um governo dos melhores.

- Criação de círculos eleitorais uninominais. Só desta forma se pode quebrar a asfixiante e anti-democrática partidocracia Lusitana que continua a perpetuar o mais aviltante caciquismo e a premiar a mediocridade e o carreirismo oficiais.

- Proibir as construtoras civis de financiar os partidos políticos. Só assim se pode estancar o pagamento de favores que está na origem da desastrosa política de betão que continua a devastar a paisagem portuguesa e a endividar o Pais, impondo uma política de obras públicas permanente, corrupta e ruinosa.

- Obrigar as construtoras civis a passarem da construção de raíz para a recuperação e restauro do património edificado. Um país com quase 900 anos de História tem a maioria das suas necessidades de edificios já assegurada e com uma taxa escandalosa de habitação nova por ocupar não é aceitavel continuar a construir desta forma.

- Não construir mais nenhuma ponte sobre o Tejo. A única política inteligente, ecológica e sustentavel é a de fixar as populações e investir esse dinheiro em mais e melhores transportes públicos.

- Impedir a construção da delirante "igreja caravela" no alto do Restelo. Um grotesco mamarracho-mor que ficará a ensombrar para sempre os Jerónimos, que são património da humanidade. (e já agora, como medida preventiva, impedir o "arquitecto" Troufa Real de exercer arquitectura, profissão para a qual notoriamente não demonstra qualquer capacidade estética ou urbanística)

- Preservar os jardins do Palácio de Cristal no Porto e construir mais jardins publicos e espaços verdes nas cidades, arborizando as principais vias de comunicação e lançar uma companha de reflorestação nacional que combata a crescente desertificação de Portugal.

- Cancelar o TVG. Tal como está concebido (com a famigerada bitola Ibérica e linhas em duplicado) este projecto não garante uma ligação directa eficiente à Europa e apenas serve para aumentar a catastrófica dívida pública e servir os interesses do sinistro lobi espanhol.

- Obrigar todas as igrejas a pagar impostos. Uma sociedade constitucionalmente laica e assente na pretensa igualdade perante a lei não pode benificiar nem favorecer nenhuma instituição religiosa.

- Legalizar e regulamentar o consumo de drogas e a prostituição. Como a História nos deveria ter ensinado, nunca nenhum proibicionismo funcionou; todo o cidadão deve ter o direito de dispor da sua vida e saúde como entender e os profissionais do sexo devem ter os mesmos direitos e protecção dos restantes cidadãos e pagar impostos sobre o seu trabalho. Só desta forma se conseguirá estancar a principal fonte da criminalidade contemporânea e eliminar a principal fonte de receitas do crime organizado que têm na ilegalidade das drogas o seu principal sustentáculo.

- Um sistema judicial mais rápido e justo em que pobres e ricos tenham as mesmas possibilidades de defesa. E que o julgamento da Casa Pia (um dos símbolos da sua ineficácia e corrupção) finalmente termine, seja feita justiça às vitimas e que as golpadas legais para viciar e adiar a aplicação da justiça por parte de Carlos Cruz & comp. sirvam de exemplo para corrigir o sistema e impedir repetições.

- Substituir as penas mais leves por serviço comunitário. A incapacidade de regeneração social das prisões é uma evidência flagrante e estas apenas servem como escolas de criminalidade ainda mais violenta e perigosa.

22/12/09

After Sam



"Since you have gone all is the same
The world’s at war, no one to blame
The Gods are dead, we have no aim
The same old noise and still no name

still

Without you nothing's quite the same
We had your voice, now have no claim"

14/12/09

Pessoa e o anticlericalismo



O iluminado júri do jornal expresso acabou de atribuir o prémio Pessoa 2009 ao bispo do Porto, Manuel Clemente!

E assim, de uma assentada, se desacreditou o mais valioso prémio português e, sobretudo, se insulta a memória de Fernando Pessoa que este prémio supostamente pretende homenagear!

Pessoa revela em toda a sua obra uma profunda espiritualidade e interesse por todas as formas de relacionamento com o mistério da existência humana e cada heterónimo representa uma faceta das múltiplas formas e possibilidades de relacionamento com o sagrado. No entanto a caracteristica fundamental do seu complexo pensamento e que a multiplicidade de visões da heteronímia confirma é a recusa intransigente de qualquer dogmatismo, estando por isso nos antípodas de qualquer religião oficial, a que sempre se opôs.

Como escreveu na sua (célebre?) nota biográfica de 30 de Março de 1935, Fernando Pessoa considerava-se: "Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas e, sobretudo, à igreja de Roma."

Sobre Fátima escreveu também em 1935: ”(...) Há em Portugal um lugar que pode concorrer e vantajosamente com Lourdes. Há curas maravilhosas, a preços mais em conta. O negócio da religião a retalho, no que diz respeito à Loja de Fátima, tem tomado grande incremento, com manifesto gaudio místico da parte dos hoteis, estalagens e outro comércio d’esses jeitos – o que, aliás, está plenamente de acordo com o Evangelho, embora os católicos não usem lê-lo – não vão eles lembrar-se de o seguir!"

Num outro texto editado por Teresa Rita Lopes em "Pessoa por conhecer - Textos para um novo mapa" escreve: "Se, como sociólogos, sabemos que qualquer civilização precisa de uma fé para viver, igualmente, como sociólogos, vemos que a fé cristã não é - ela mesma decadente - a que deve existir hoje. A sua decadência o indica. Portanto, fazemos trabalho salutar destruindo-a. Os povos construirão a fé que se lhe seguirá. D'isso não curemos nós; (...)
O papel individual é destruir; o papel social é construir. Ataquemos pois o que sabemos velho, podre e decadente. A sociedade edificará depois o que haverá de lhe seguir. Destruir implica, socialmente, construir. Destruindo o velho, damos lugar ao novo, seja ele o que for. - É por isso que, sabendo nós que, actualmente, o c[ristianismo] é o velho, o decadente, a esterilidade e o inutil - nós, conquanto não saibamos claramente, nem nitidamente prevejamos o que se lhe seguirá, temos ainda assim a consciência de que, atacando o c[ristianismo] trabalhamos pela nova fé; que desviando [?] e tirando os escombros, preparamos o terreno para o edificio novo(...)"

Outro exemplo da sua visão sobre a igreja é este poema satírico:

“Há um método infalível
Conquanto pareça incrível
De sempre ter a verdade...
É ouvir um padre ou frade.
O critério não é vário:
É sempre certo - o contrário.”

Ou ainda, pela mão de Álvaro de Campos:
“Deus é um conceito económico. À sua sombra fazem a sua burocracia metafísica os padres de todas as religiões.”

08/11/09

Excerto de um 'Excerto de Ode'




Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.



Álvaro de Campos, 1914

07/11/09

«Tria Fata»





O destino era representado na Grécia antiga pelas Moiras, três deusas primordiais, nascidas no princípio do tempo da união de Érebo-Trevas e de Nix-Noite ou de Zeus e Témis, deusa da justiça, e que, como deusas da fatalidade, governavam o destino de deuses e homens e presidiam aos três momentos fulcrais da vida humana: nascimento; matrimónio; morte.
Estas três irmãs fiandeiras que manipulam a roda da fortuna, velam o tempo e regulam a vida e a morte, são representadas como três donzelas virgens ou três velhas solteiras:

Cloto - que tecia o fio da vida. A sua roca a girar simboliza o curso da existência;
Láquesis - que enrolava o fio, definindo a qualidade de vida que cabia a cada ser;
Átropos - que cortava o fio, definindo quando a vida que representava chegava ao fim.

Os Romanos chamaram-lhes Parcas e Tria Fata e com os nomes latinos de Nona, Décima e Morta, personificavam a mesma inevitabilidade do destino e o poder que regula a sorte de todos os homens, do nascimento à morte.

29/10/09


"Importa tão pouco o que dizemos ou não dizemos...
Velamos as horas que passam... O nosso mister é inútil como a vida..."

Fernando Pessoa, 'O Marinheiro'
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