05/04/16

UNO Parte I - Performance




Seminário “Procura da superfície: o corpo no séc.XXI
- esgotamento ou reabilitação?”

O Seminário “Procura da superfície: corpo no séc. XXI – esgotamento ou reabilitação” reúne investigadores, em várias áreas disciplinares, pretendendo ser uma plataforma de aprofundamento às problemáticas suscitadas em torno ao conceito de corpo. Desde as últimas décadas do século XX conheceram-se abordagens e incidências que exprimiam uma proliferação inaudita, uma premência inesperada. Cabe analisar, refletir, entrado já longo o novo século, no que acarrete e signifique tais estudos, desalojando juízos de valor precipitados. Esta abundância sublinha, no mínimo, o indício de um reconhecimento: o de que o corpo, com salvas e não dominantes exceções, constituiu-se como um dos silêncios (senão um dos exorcismos) de séculos de pensamento e de doutrina. Sob auspícios de obras referenciais de Jean Luc Nancy foi lançado o desafio aos palestrantes. A “procura da superfície”, a superfície do corpo, dos corpos, do corpus é criticamente retomada num tempo presente, em inícios de um século XXI, colocando-se em questão, designadamente, o modo como um certo frenesim estético-artístico-literário contribuiu para o seu esgotamento ou para a reabilitação.

Comissão Científica:
Carlos França, Hugo Monteiro e Maria de Fátima Lambert

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO – POLITÉCNICO DO PORTO


Apresentação de Instalação videográfica da performance
Galeria de Escultura do Museu Nacional Soares dos Reis
7 de Abril de 2016, 15h-15.30h

direcção Francisco Alves
intérpretes Filipe Teixeira e João Teixeira
vídeo Luís Vieira Campos
fotos Inês d'Orey
design Tiago Afonso Morgado

09/06/15

UNO




























Parte I [performance]
Museu Nacional Soares dos Reis
Galeria de Escultura


fotos Inês d'Orey

15/05/15

UNO



Estreia do Projecto

Parte I [performance]
7 de Junho 2015, 17h
Museu Nacional de Soares dos Reis

10/05/15

UNO




Na sequência de um ciclo de trabalho centrado na relação entre Teatro e Museu que teve início em 2010 com o espectáculo 'In Situ - In Transit' criado in situ no Museu Nacional Soares dos Reis numa residência artistica pioneira, o Teatro Plástico apresenta por ocasião da Noite Internacional dos Museus 2015 a primeira parte do ciclo 'Uno' uma série de espectáculos sobre o duplo e os gémeos idênticos.

Construído em diversas etapas e abordando diversas técnicas e metodologias teatrais, 'Uno', a apresentar em estreia absoluta por ocasião da 'Noite dInternancional dos Museus' na galeria de escultura Soares dos Reis, aborda o tema do duplo/gémeos relacionando-o com algumas das mais pertinentes questões do universo da Arte e do Teatro: a questão do tempo e do instante irrepetível da arte viva versus a materialização temporal museológica e a questão do original e da cópia e o valor do objecto único na sua relação com o mercado e a multiplicidade das cópias na Era da reprodução electrónica instantânea de imagens.

Uno constitui também uma reflexão sobre a Escultura como arte do duplo (do molde, da cópia) e sobre a relação entre representação tridimensional inerte versus o acto actuante de ver. Ou como duas pessoas exactamente iguais podem ver de forma radicalmente diferente ou simetricamente igual os mesmos objectos artísticos.

Estreia Absoluta
Parte I [performance]

16 de Maio de 2015, 22h
Galeria de Escultura Soares dos Reis
Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto


duração aprox: 15 mts - evento gratuito

25/01/15

1995-2015 - XX ANOS DE TEATRO PLÁSTICO
1995-2015 - XX YEARS OF PLASTIC THEATRE




'Plastic not Plastic"

04/12/13

Machina Beckett












"A voice comes to one in the dark. Imagine."

Samuel Beckett

10/11/13

'Machina Beckett'




"Where would I go, if I could go, who would I be, if I could be, what would I say, if I had a voice, who says this, saying it's me? Answer simply, someone answer simply."



16 - 24 November 2013
Teatro Helena Sá Costa

15/09/13



"Teatro Plastico’s production of a trilogy of Beckett plays at the Ardhowen Theatre, further enforces this notion of merging the living with the landscape.
In Rough for Theatre II we enter to the scene of a lone figure in shadow with his back to the audience, against a blue, cloud speckled sky.
This is Croaker, a man on the brink of jumping from a window ledge while two sinister auditors fuss over the details of his life. He remains motionless throughout the play, a blot on the landscape, but his existence is discussed and critiqued back and forth, back and forth; he is both the body of the text, the squabbling clerks keeping his life in motion, but also the form of the landscape, fixed and unmoving.
At the close of the play, Bertrand, the more dominant of the two auditors, peers at Croker’s face by match light and then holds a handkerchief to his mouth to look for breath. It seems that without jumping, he has already expired.
He will remain, like Winnie, one of Beckett’s new peopled monuments in a vast experiential landscape. The remnants of his life scattered like flora."

Amy Pettifer
"Still Lives in Motion"


"Teenage girls sitting behind me in the Ardhowen theatre snicker as the surtitles repeat the same lines for the fourth time. What Where, written in 1983 and Beckett's final play, is the last of three stunningly lit and delivered shorts from the Portuguese company Teatro Plástico. To the teenagers, the repetitions seem ridiculous. They're right; they are young. Older members of the audience cannot laugh. To us, the repetitions, each following the disappearance of an actor from the stage towards a mysterious interrogation, are relentlessly oppressive."

Clare Brennan
'The Observer'


"Even temperamental surtitles couldn’t detract from the power of Teatro Plastico’s interpretation of What Where.
Starkly staged and deliberately slow, it struck a particularly resonant chord politically..."

Megan Orpwood-Russell
'Wild Culture'

27/08/13

Beckett: What-Were




"In the landscape of extinction, precision is next to godliness."

Samuel Beckett


At 'Happy Days International Beckett Festival 2013'

13/08/13



No final de Agosto o Teatro Plástico estará no 'Happy Days Internacional Beckett Festival' em Enniskillen, Irlanda, com o espectáculo 'Beckett: O Quê-Onde'.

Esta participação no mais importante festival multidisciplinar internacional dedicado à obra de Samuel Beckett decorrerá sem qualquer apoio do governo português/DGArtes e no ano em que o Teatro Plástico foi - mais uma vez - excluído dos financiamentos públicos à actividade teatral em Portugal.

A continuada exclusão por parte da Direcção-Geral das Artes configura-se como uma clara estratégia de perseguição política e tentativa de extermínio de uma estrutura teatral incómoda e politicamente incorrecta que existe desde 1995 e que construiu ao longo destes anos um percurso inconfundível com uma estética própria, uma linha de trabalho coerente e de qualidade reconhecida e público fidelizado.

É por isso importante denunciar que, sob o pretexto da crise e da intervenção da Troika, se está a proceder em Portugal a um atentado cultural generalizado e a um saneamento político que visa desmantelar uma realidade cultural que demorou 39 anos a edificar e que fazia de Portugal - na opinião de diversos especialistas - num dos países com mais rica e diversificada actividade teatral de toda a Europa.

A lista de contemplados e excluídos do mísero orçamento que o governo PSD/PP dedica a um sector que deveria ser prioritário é por demais expressiva da campanha política em curso mas pela nossa parte queremos manifestar a nossa resistência e recusa em ser administrativamente extintos por funcionários políticos e organismos públicos corruptos e que têm por função estatutária o fomento às Artes.


10/06/13




Que vençais no Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da Índia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;

Que vencidas tenhais da morte as leis,
E que vencêsseis tudo, enfim, armado,
Mais é vencer na Pátria, desarmado,
Os monstros e as Quimeras que venceis.

Sobre vencerdes, pois, tanto inimigo,
E por armas fazer que sem segundo
No mundo o vosso nome ouvido seja;

O que vos dá mais fama inda no mundo,
É vencerdes, Senhor, no Reino amigo,
Tantas ingratidões, tão grande inveja.


Luís de Camões

12/04/13



"Todavia alguém terá de pagar, cedo ou tarde, o preço que a aparência exige para ter o mínimo de realidade. Esse alguém é bem conhecido: chama-se povo, o povo que efectivamente trabalha e para quem, como escrevia Goethe, a maioria das revoluções que se fazem em seu nome não significam mais que a possibilidade de mudar de ombro para suportar a costumada canga."



Eduardo lourenço

06/01/13

Lusitânia Lux






Por que não podia luzir a luz de Santo António entre portugueses? Nenhuma terra há entre todas as do mundo que mais se oponha à luz que a Lusitânia. A mais nefasta etimologia de Lusitânia. Onde vão parar os heróis de Portugal depois que voltam à pátria? As fortunas e influências do fatal nascimento dos grandes portugueses retratadas ao vivo nas visões de Patmos. Portugal definido pelos exploradores que foram descobrir e informar-se da Terra de Promissão.


Sic luceat lux vestra coram hominibus: ut videant opera vestra bona et glorificent Pairem vestrum, qui in caelis est (Mt. 5, 16). - De tal modo há de luzir a vossa luz diante dos homens, que vejam eles as vossas boas obras, e glorifiquem a Deus. - Isto é o que diz Cristo a Santo António. E isto não o podia fazer um português entre portugueses. A primeira coisa que se lhe encarrega nestas palavras, é que há de luzir a sua luz: Sic luceat lux vestra - e luzir português entre portugueses, e, muito menos, luzir com a sua luz, é coisa muito dificultosa na nossa terra. Com a luz alheia vi eu lá luzir alguns; mas com a própria: lux vestra - nem Santo Antônio, quanto mais os outros.
Toda a terra - porque toda é tocada deste vício - tem oposição com a luz. A lua, quem a eclipsa? A terra, porque chegam lá as suas sombras. E o sol, onde não chegam as sombras da terra, quem o escurece e encobre cada hora a nossos olhos? Também a terra. Levanta o sol com seus raios os vapores da terra, e esses mesmos vapores que ele levantou, condensando-se em nuvens, são os que o não deixam luzir. Tomam em si os resplendores do mesmo sol, e, dourando-se com eles, ou o escurecem de todo, ou no-lo tiram dos olhos. Preze-se, ou não se preze o sol de escurecer as estrelas do céu, que lá estão os vapores da terra, que o escurecerão a ele.


Sendo esta a condição natural de toda a terra, como grosseira, enfim, rude e opaca, e nascida debaixo das trevas: Terra erat inanis et vacua, et tenebrae erant super fatiem abyssi - nenhuma terra há, contudo, entre todas as do mundo, que mais se oponha à luz que a Lusitânia. Outra etimologia lhe dei eu no sermão passado; mas, como há vocábulos que admitem muitas derivações, e alguns que significam por antífrase o contrário do que soam, assim o entendo deste nome, posto que tão luzido. O mundo, dizem os gramáticos que se chama mundo quia minime mundus - e a morte Parca, quia nemini parcit. - E assim como o mundo se chama mundo, porque é imundo, e a morte se chama Parca, porque a ninguém perdoa, assim a nossa terra se pode chamar Lusitânia, porque a ninguém deixa luzir. [...]


Vede agora se tinha razão para dizer, que é natureza ou má condição da nossa Lusitânia não poder consentir que luzam os que nascem nela. E vede também se podia Santo António deixar de deixar a pátria, sendo filho de uma terra onde se não consente o luzir, e tendo-lhe mandado Cristo que luzisse: Sic luceat lux vestra.


António Vieira


22/12/12

Este País...





"Este país preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa."
 
 
*


"Mas a realidade é esta: não temos um projecto de país. Vivemos ao deus-dará, conforme o lado de que o vento sopra. As pessoas já não pensam só no dia-a-dia, pensam no minuto a minuto. Estamos endividados até às orelhas e fazemos uma falsa vida de prosperidade. Aparência, aparência, aparência - e nada por trás. Onde estão as ideias? Onde está uma ideia de futuro para Portugal? Como vamos viver quando se acabarem os dinheiros da Europa? Os governos todos navegam à vista da costa e parece que ninguém quer pensar nisto, ninguém ousa ir mais além."

José Saramago

 

01/12/12




Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
De uma austera, apagada e vil tristeza.


Luís de Camões

12/09/12

No País dos Sacanas




Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas
E todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
Para fazer funcionar fraternamente
A humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
Para além da rivalidade, invejas e mesquinharias
Em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
E ver se se convertem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
Ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
Porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
Que a nobreza, a dignidade, a independência,
a Justiça, a bondade, etc., etc., sejam
Outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
A um ponto que os mais não capazes de atingir.
.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então neste país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
 
Jorge de Sena
 

24/07/12





A Santa Paciência, país, a tua padroeira,
já perde a paciência à nossa cabeceira.
                         
                        [...]

Que Santa Sulipanta nos conforte
na má vida, país, na boa morte!



Alexandre O'Neill
'O País Relativo'

31/03/12

Garrett 2012




"Pátria!... não temos pátria...
Oh não há para nós tão doce nome.
Grilhões, escravos, cárceres e algozes,
De quanto outrora fomos
Isto só nos restou, só isto somos."



Garrett
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